1 de outubro de 2009. JORNAL A NOTICIA/ESTADUAL
CRÔNICA
Animais e humanos
Ser humano é acreditar que os animais têm alma, pois estão incluídos na mesma comunidade moral de que nós fazemos parte. Não podemos deixar de protegê-los da dor ou da humilhação porque eles não sofrem menos do que humanos, uma vez que a dor é a mesma para qualquer ser. Neste mês, tivemos notícia de atos de crueldade e amor aos animais: semana passada, na Grande Florianópolis, dois humanos desprezíveis, extravasando instintos assassinos e seus recalques existenciais, atiraram numa cadela, a Pituca, ferindo-a sensivelmente. Mas ela foi salva por um médico veterinário que tem o coração no cérebro, e não posso acreditar que o sono desses fracos não será sombrio para sempre.
Os animais nos tornam humanos; os aborígines já viviam esta filosofia, o que lembra atitudes suaves e bondosas, como a de uma família que deixou de guardar o carro na garagem para que os pássaros pudessem cuidar de seu ninho e alimentar seus filhotes; ou mesmo de um casal em Curitiba que ajudou um casal de joão-de-barro a construir sua casa, recebendo, todos os dias, o agradecimento ao fazerem festa em suas janelas todas as manhãs. A partir deste mês, 700 frigoríficos de quatro Estados brasileiros, incluindo Santa Catarina, vão receber treinamento racional para o abate humanitário, que inclui o bem-estar dos animais desde a criação até o abate.
Há quem questione o porquê de dar bem-estar ao animal se ele vai morrer de qualquer forma. A coordenadora do projeto de abate humanitário pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), Charli Ludtke, responde: “Se você soubesse que vai morrer hoje, preferiria morrer sob tortura, agonizando, ou calmamente, sem dor? A obviedade da resposta é que nos anima a prosseguir”. Gandhi tinha razão: julga-se a grandeza de uma nação pelo modo como seus animais são tratados.
dfurtadofilho@gmail.com
DORVALINO FURTADO FILHO | Médico veterinário
Escrito por às 03h45 PM [ ] [ envie esta mensagem ] [link]






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