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20 de agosto de 2009. 
CRÔNICA - JORNAL AN - A NOTICIA DE SANTA CATARINA
A lista de Aracy
DORVALINO FURTADO FILHO | Pós-graduado em administração pública e marketing

Li um texto de Daniel Decol. Vou tentar fazer justiça a ele e a Aracy, como Steven Spielberg fez com Schindler.

Paranaense, Aracy foi encarregada da seção de vistos no consulado brasileiro em Hamburgo. Em 1938, entrou em vigor, no Brasil, a circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no País. Neste contexto é que se revela o coração de Aracy ao ignorar essa circular demoníaca que proibia a concessão de vistos a judeus, e, à revelia das ordens do Itamaraty, Aracy preparava os processos de vistos a eles.

Ela despachava com o cônsul-geral, colocando os vistos entre as papeladas para as devidas assinaturas. Imaginem quantas vidas Aracy salvou das garras dos nazistas no Estado Novo de Getúlio Vargas? E quantos descendentes de judeus andam pelo nosso País, hoje, que desconhecem de que devem suas vidas a esta bela mulher?

Seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa, era cônsul adjunto e sabia o que ela fazia e apoiava integralmente.

Guimarães Rosa se imortalizou ao escrever o clássico “Grande Sertão: Veredas”.

A coragem de Aracy foi mais além. E tem mais: na vigência do infausto AI 5, no Brasil, numa reunião de intelectuais e artistas, esta guerreira e humilde mulher soube que um compositor famoso era procurado pela ditadura militar. Pois ela o ajudou e também muitos outros perseguidos pela satânica ditadura.

Em 1967, morre Guimarães Rosa. Aracy, reservadíssima e avessa a badalações, permanece viúva chegando aos 99 anos de idade, sempre se recusando a viver de glória. Valorizar esta cidadã do mundo não é somente plantar na internet sua biografia, mas levar esta história de vida fascinante para as escolas, faculdades e, principalmente, para o meio político brasileiro como modelo de caráter e coragem.

Hoje, há um “dissimulado esquecimento” de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, mas não em Israel. No Museu do Holocausto, há uma placa no bosque Jardim dos Justos entre as Nações, que incluiu Aracy entre os 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus durante a Segunda Guerra.

Pelo menos os nossos queridos irmãos de Israel não deixaram que um exemplo de vida não acabasse navegando pelo mar da obliteração.

dfurtadofilho@gmail.com

Escrito por Dorvalino Furtado Filho às 04h07 PM [ ] [ envie esta mensagem ] []

20 de agosto de 2009 

>ARTIGO - DIÁRIO CATARINENSE no Estado de Santa Catarina

Mar de alimentos

Dorvalino Furtado Filho*

MÉDICO VETERINÁRIO

O mar em SC é uma fonte inesgotável de alimentos, basta respeitá-lo, explorando-o racionalmente. Mais de 2 mil toneladas/ano de ostras cultivadas já são produzidas no Estado, sem contar a produção de camarões, que é de mais de 3 mil toneladas/ano, e a de mariscos, que já passa das 8 mil toneladas/ano. Nosso Estado, hoje, produz 92% dos moluscos (ostras e mariscos) cultivados no Brasil, tendo como principais parceiros, no desenvolvimento de tecnologias, a UFSC, Univali, Unisul e Univille. De 1989 a 2008, SC tornou-se o terceiro maior produtor de moluscos da América Latina, perdendo somente para o Chile e o México. A Epagri/Cedap, que hoje administra estes projetos, está consolidando cultivos experimentais de vieiras e polvos, além de coordenar a piscicultura de água doce no Estado, que já produz mais de 18 mil toneladas/ano. Mas e a pesca artesanal em SC? Temos aproximadamente 530 quilômetros de costa marítima, abrangendo 32 municípios, com 186 comunidades pesqueiras. São mais de 25 mil pescadores, totalizando cerca de 150 mil dependentes diretos. É fantástica esta relação ou este potencial de alternativas de produção.

Nosso litoral é quase todo formado por baías e enseadas, favorecendo o sistema de grandes cercadas para peixe em ambiente totalmente natural. Vale lembrar que o governo estadual, em convênio com a província japonesa de Aomori, e com o apoio da Secretaria Nacional da Pesca, implanta uma política para o setor pesqueiro artesanal com um modelo adaptado a nossa realidade, objetivando obter grandes resultados para o meio ambiente, repovoando o mar, oferecendo uma melhor qualidade de vida e renda para o pescador artesanal e sua família, evitando, assim, o êxodo do pescador para outras cidades do Estado.
Fome quase zero é incentivar maior produção e apoiar os nossos fazendeiros do mar.

Escrito por Dorvalino Furtado Filho às 03h53 PM [ ] [ envie esta mensagem ] []

Escrito por Dorvalino às 03h28 PM [ ] [ envie esta mensagem ] []